quarta-feira, março 18, 2009

História da Fotografia


Evolução Histórica


A "camera obscura" conhecida por Leonardo da Vinci (1452-1519) desde o século XIV possui, exceto pelo obturador, todos os elementos essenciais à câmera fotográfica e pode ser considerada como seu antecessor imediato. O termo "camera obscura" aplica-se a qualquer invenção ótica na qual é formada uma imagem da cena visível em um anteparo colocado em um quarto escuro ou, até mesmo, em uma caixa grande. Leonardo da Vinci descreveu a "camera obscura" em seus cadernos de notas que, escritos ao contrário, só podiam ser lidos com o auxílio de um espelho. A "camera obscura", porém, só veio a ser conhecida publicamente em 1545, quando em Nápoles, Giovanni Battista della Porta (1538-1615), publicou o livro "Magia Naturalis sive de Miracullis Rerum Naturalium" no qual a descrevia, e, por esta razão, foi considerado seu inventor.
Nos séculos XVI, XVII e XVII a "camera obscura" foi usada pelos artistas como auxiliar no desenho.
John Dollond (1706-1761), ótico inglês, em 1757 construi as primeiras lentes para telescópio que foram adaptáveis à "camera obscura". Tal adaptação melhorou muito a qualidade das imagens desenhadas através da "camera obscura", no entanto, o maior desejo dos pesquisadores era a auto gravação das imagens.
No século XVIII a falta de informações sobre a transformação química da luz era o principal obstáculo à evolução da Fotografia. Os efeitos da mudança química da luz foram atribuídos até então ao ar e ao calor. Em 1725 o professor Johann Heinrich Schulze (1687-1744) da Universidade de Altford, Alemanha, notou que o escurecimento dos sais de prata ocorria devido exclusivamente à luz e não ao calor como se pensava. Em 1727 Schulze publicou suas observações através da Academia Imperial de Nuremberg sob o título de "Scotophorus pro Phosphoro Inventus."
Em 1826 Joseph Nicephore Nièpce (1765-1833) produziu as primeiras imagens da janela do seu escritório. Tais imagens mostravam o terreno da granja em Chalon-sur-Mer no vale do Loire. Nièpce usou uma placa de estanho recoberta com "betume da Judéia" e revelada com óleo de lavanda. Calcula-se que a exposição tenha durado oito horas em um dia de verão, numa câmera fabricada pela casa de ótica de Jacques Louis Vicent e Charles Louis Chevalier de Paris. O processo de Nièpce chamado de Heliografia (desenho solar), tinha o inconveniente da baixa velocidade e pouca qualidade da imagem.
O inventor do Diorama, espetáculo que combinava vistas panorâmicas com mudanças de luz, Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851), utilizava-se das câmeras fabricadas pela casa Chevalier que, sabedores da Heliografia, colocaram-no em contato com Nièpce. Em 1829, após dois anos de negociações, Daguerre e Nièpce assinaram um contrato de dez anos no qual propunham aprimorar a Heliografia. Daguerre trabalhou diligentemente e em segredo entre o fim de 1820 e o início da década seguinte baseando-se no uso de uma placa de cobre exposta ao vapor de iodo formando uma camada de iodeto de prata. Em 1837 ao deixar uma placa exposta guardada em um armário durante a noite Daguerre notou, na manhã seguinte, que a placa estava revelada mostrando uma imagem densa. Por meio de cuidadoso processo de eliminação entre os materiais químicos guardados no armário Daguerre veio a descobrir que a revelação ocorreu devido ao mercúrio de um termómetro quebrado. Tal conclusão permitiu ao inventor obter resultados com apenas meia hora de exposição.
O processo de Daguerre -- Daguerreotipia -- foi apresentado em 19 de agosto de 1839 perante uma sessão conjunta da Academia Francesa de Ciência e Belas Artes pelo astrônomo e deputado François Aragó (1786-1853) que propunha uma lei pela qual o governo francês daria uma pensão de 6.000 francos a Daguerre e 4.000 ao filho de Nièpce, Isidore Nièpce (1786-1868), que havia sucedido ao pai na sociedade comercial. Em troca ambos abririam mão da patente do Daguerreótipo. A daguerreotipia só veio a sair de uso após a invenção do processo da placa úmida (Colódio - 1851). As imagens de Daguerre eram cópias únicas do motivo retratado e não podiam ser reproduzidas.
O processo fotográfico que o inglês William Fox Talbot (1800-1877) vinha tentando desenvolver desde de 1840 produzia uma imagem através da qual obtinha-se o positivo. O Talbotipo utilizava um papel de boa qualidade tratado com iodeto de prata e revelado com ácido gálico produzindo um negativo que seria copiado, por contato, para um papel emulsionado com cloreto de prata e fixado com hipossulfito de sódio. Em virtude deste processo englobar os elementos da Fotografia de nossos dias, ou seja, a exposição e revelação da imagem latente, Talbot é considerado por alguns como o inventor da Fotografia.
Deve-se também a Talbot a publicação do primeiro livro com ilustrações, "The Pencil of Nature" , lançado em 1844 com 24 talbotipos originais.
Outro processo desenvolvido em 1847 foi o uso da albumina sobre vidro por Abel Claude Felix Nièpce de St. Victor (1805-1870), primo de Nièpce. Este processo utilizava uma placa de vidro recoberta com clara de ovo, sensibilizada com iodeto de potássio e umedecida com solução ácida de nitrato de prata. A revelação era feita com ácido gálico e a fixação pelo método habitual, usando hipossulfito de sódio. Este processo possuía várias vantagens. Além de produzir um detalhe mais nítido, as placas preparadas podiam ser conservadas por 15 dias e a revelação podia esperar de uma a duas semanas após a exposição que levava de 5 a 15 minutos, dependendo das condições atmosféricas.
Em 1851 a publicação do processo do Colódio por Frederick Scott Archer(1813-1857) na revista "The Chemist" marcou o início de uma nova era para a Fotografia. Scott Archer, escultor inglês, vinha utilizando o Calotipo para obter retratos de seus modelos para estudo. Na tentativa de aperfeiçoar o Calotipo, Archer vinha tratando os papéis com várias substâncias até que utilizou o colódio, solução de piroxila em partes iguais de álcool e éter. O processo de Scott Archer além de proporcionar uma ótima definição possuía a vantagem de ser 10 vezes mais rápido do que o de albumina no vidro. Archer não patenteou o processo, ao contrário de Talbot, permitindo assim a livre utilização das placas úmidas. O processo do Colódio ficou em uso por mais de 30 anos e seu único inconveniente era obrigar aos fotógrafos a usar tendas como quarto escuro. O Colódio exigia que as placas fossem reveladas enquanto úmidas.
O processo do Colódio permitiu que pioneiros como Roger Fenton (1819-1869) fotografassem a Guerra da Criméia em 1855. Fenton realizou cerca de 330 fotografias que são, sem dúvida, as primeiras imagens de guerra de que temos conhecimento.
Ainda pelo processo das placas úmidas foram conseguidas as primeiras imagens aéreas por Nadar - Gaspard Félix Tournachon (1820-1910), em 1858, a bordo de um balão cativo, a 80 metros de altura, no Vale do Bievre. Foi também Nadar quem cedeu seu atelier no Boulevard des Capucines para a primeira exposição de pintura do grupo, então ridicularizado, Impressionista.
Devido aos muitos inconvenientes das placas úmidas surgiu o interesse em pesquisas por placas secas. Em 1871 o médico e fotógrafo inglês Richard Leach Maddox (1816-1902) publicou no "British Journal of Photography" uma sugestão para a substituição do Colódio por uma emulsão à base de gelatina com brometo de prata . O novo processo permitiu que o fotógrafo deixasse de emulsionar suas placas passando a comprá-las prontas. A velocidade da emulsão deste processo permitia exposições curtas, 1/25 seg., fazendo do obturador uma necessidade.
Com o aumento da sensibilidade da emulsão e da expansão do mercado fotográfico surgiram as câmeras fotográficas portáteis. A mais significativa criação neste campo deve-se a George Eastman (1854-1932), fabricante de placas secas para a fotografia. A câmera Kodak número 1 tipo caixão, lançada em 1888, era vendida por 25 dólares (quando custava 62 dólares para ser fabricada) e usava um filme de papel sensível com 608 X 7 cms suficiente para tirar 100 negativos circulares de 3,8 cms. de diâmetro. Com o slogan "Você só aperta o botão e nós fazemos o resto" o fotógrafo amador apenas operava a máquina enviando-a à firma em Rochester, Nova York, onde o filme seria cortado em tiras, revelado, a emulsão separada da base e colocada em suporte transparente. Depois eram feitas cópias de todos os negativos que, juntamente com a câmera e um novo filme, eram devolvidas ao proprietário que pagava 10 dólares pelo serviço.
Outro fato que contribuiu para o aperfeiçoamento dos materiais sensíveis foi, em 1873, a criação da primeira placa seca ortocromática (material sensível a todas as cores com exceção do vermelho e do laranja) pelo professor Hermann Wilhem Vogel(1834-1898) do Instituto de Tecnologia de Berlim.
Em 1888, Hannibal Goodwin (1822-1900) inventou o filme à base de nitrocelulose que, em 1889, veio substituir o papel sensível.


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